terça-feira, 25 de agosto de 2015

Momentos de reflexão.

Certos eventos - trágicos ou não - nos induzem, invariavelmente, a alguns momentos de reflexão.

Curiosamente, minhas reflexões são acompanhadas por música, e essa é uma daquelas que embalam bem estes momentos.

Boa semana!



sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Aniversário é sempre um dia complexo...

Costumo dizer aos meus amigos que nosso aniversário é um dia que marca de forma positiva e negativa ao mesmo tempo. Felicidades e tristezas se reúnem numa única ocasião. Aniversário é um momento de dicotomia. A data marca uma um breve instante entre o começo e o fim, entre um fim e um recomeço.

É o dia em que você respira fundo, olha para trás e vê tudo o que aconteceu no último ano. Lembra de seus sonhos e aspirações formados um ano atrás e tudo aquilo que você conseguiu realizar. Se entristece por tudo aquilo que não conseguiu. Noutra respiração, refaz as promessas que não cumpriu, os planos que não seguiu e promete que neste ano vai ser diferente.

Inspira, expira e não pira....

Eu sou um cara que não gosta muito de redes sociais, mas devo admitir que algo de bom elas trouxeram: gente com quem há muito não podemos partilhar a mesa, o balcão do bar, o banco da praça e os brinquedos do parquinho sabe onde nos encontrar e pode deixar um cumprimento. Uma lembrança eletrônica que corresponde a um gesto de carinho.

E quem está perto... Bom, que está perto também deixa um recado, e dá um jeito de te dar um abraço, um beijo ou um telefonema. E, às vezes, um telefonema salva o dia.

Eu queria agradecer pessoalmente cada um dos mais de 100 cumprimentos que eu recebi hoje, por publicação na timeline do facebook, mensagem inbox, mensagem no tweeter, e-mail, whatsapp, sinal de fumaça, mentalização, meditação, vibração, fax e telex.

Como é difícil conseguir isso antes do próximo aniversário, vou aproveitar esta postagem pública e meio blogueira para este agradecimento. 

Todos vocês estão no meu pensamento! 

Meus amigos e amigas de esquerda, de direita, sem direção, sem noção, abstêmios, cangibrinas, meninos, meninas, afins e correlatos, do bar, da moto, do parquinho, de muito tempo, de outro dia, da família natural, da família escolhida, enfim, todos...


A todos o meu obrigado!

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Mais um que eu queria ter escrito

A Ruth Manus em seu blog, sempre manda muito bem.

Hoje ela escreveu mais um texto que eu gostaria de ter escrito.


Como não escrevi, reproduzo com o crédito devido:



A doce vida de um advogado

RUTH MANUS
12 Agosto 2015 | 11:35

Tão doce quanto um balcão de fórum.



A doce vida de um advogado começa de manhã cedo. Porque tem audiência, tem prazo, tem trânsito. Acordamos, tomamos um banho e um café preto, colocamos sapatos que apertam, gravatas que apertam, saias que apertam. Alguns pegam o carro, que de uns poucos é Mercedes e de uns muitos é Palio, Celta e Corsa. Outros tantos pegam metrô, ônibus e trem. Uns pegam a bicicleta, outros a moto. E começa o dia.
Dia esse que começa com a cabeça cheia. Mas tudo bem, porque os eles também terminam com a cabeça cheia. A gente vai se habituando. Reunião com cliente. Chamar o cara que conserta a impressora. Tirar aquela dúvida com o contador. Comprar o novo código. Preparar três defesas e dois recursos.  Tirar cópias. Ver se aquele pagamento atrasado caiu.
Poucos sabem que na nossa doce vida tem um número incontável clientes insanos. Que gritam, que mandam 7 e-mails em 20 minutos, que nos ligam no domingo, que nos acusam de não estar dando atenção ao caso dele, mesmo que estejamos acompanhando o andamento todo santo dia.
Poucos sabem que tem cliente que simplesmente não nos paga. E não são poucos. E que esses honorários que a gente deixa de receber não servem para comprar bolsas caras ou ternos italianos. Servem para pagar aluguel, para pagar o estagiário, para comprar os livros que embasam nossas teses. E mesmo quando os clientes pagam, nem sempre o orçamento fecha.
E nesse doce dia a dia a gente estuda. Lê o Código de Processo que mudou. Lê artigos sobre o que mudou no Código de Processo. Advogados, depois de pelo menos 5 anos de estudo, se matriculam na pós. Vão a congressos. Palestras. Seminários. Querem fazer mestrado. Os que não vão, quase sempre é por falta de grana. Porque com a falta de tempo e com a falta de saúde a gente já aprendeu a lidar, fazer malabarismo, fazer milagre.
E o engraçado é que para o senso comum, todo mundo pode ganhar dinheiro. O jogador de futebol é pelo talento. O artista pelo dom. O médico pelos estudos. O engenheiro pela dedicação.  Mas o advogado não. Se o advogado ganha bem, todo mundo já acha que é porque se aproveita dos clientes, faz esquema. Não pode ser por talento, nem dom, nem estudo, nem dedicação.
A verdade é que enche o saco ficar ouvindo que advogado é o cara explora as pessoas, que ganha dinheiro fácil, que enrola todo mundo. Existe advogado desonesto? Sim. Assim como médico desonesto, engenheiro desonesto, jogador de futebol desonesto. Mas digo com a maior tranquilidade: esses caras são exceção, não regra.
Conheço advogados que ficaram ricos. Como? Estudando muito, trabalhando madrugadas, sacrificando outros projetos. Também conheço um monte de advogado que tá sem grana. Por azar, por parcerias erradas, por erro de administração. Mas não conheço nenhum, nenhum advogado que esteja rico ou pobre porque trabalha pouco. Trabalhar pouco e ser advogado são expressões que nunca andam juntas.
Ontem, 11 de agosto, foi dia do advogado. Ouvi um parabéns ou outro, recebi e-mail da OAB, da AASP. Sou professora e advogada. Uma profissão endeusada, outra totalmente estigmatizada. Um 15 de outubro é sempre muito diferente de um 11 de agosto. Eu não coloco asas de fada e uma tiara de flores para dar aula, nem coloco capa vermelha, chifres e um tridente na mão pra ir pro escritório. Sou a mesma pessoa, professora e advogada. Assim como todos advogados que conheço, que ralam, que tomam porrada, que dormem pouco, têm torcicolo, têm preocupações infinitas, ouvem piadas, ouvem grosseria, fingem que não ligam e seguem em frente.
Não espero flores nem presentes por ser advogada. Mas espero respeito. Carrego uma carteirinha vermelha na bolsa e um orgulho imenso no peito pelo que faço. Sou advogada. Tenho orgulho das minhas olheiras e da minha trajetória. Tenho orgulho de pertencer a essa classe que batalha pela própria sobrevivência e pelo direito alheio. Tenho orgulho de desempenhar função essencial à justiça, ainda que o mundo pareça nos ver como inimigos. Mas sabemos quem somos, sabemos o quanto lutamos. E chega de conversa, que mimimi não interrompe prazo. E tem prazo vencendo hoje. Sempre tem prazo vencendo. E a gente tem que vencer os prazos. E vencer os casos. Feliz agosto pra nós. Tamo junto.