terça-feira, 6 de maio de 2014

Não adianta chorar por Fabiane.

Não adianta chorar por Fabiane. Fabiane já está morta e sepultada, e jaz numa gaveta nos fundos de um cemitério em Guarujá, que faz divisa com um lixão.

Deveria adiantar, mas não adianta, chorar pelos filhos e pelo marido que ela deixa. Hoje, dois enfants dormirão sem a mãe. E crescerão sabendo que o amor de mãe lhes foi tirado injustamente, com base numa denúncia infundada, colocada numa rede social sabe-se lá por quais motivos. Sabe-se lá quem leu, divulgou e incitou.

Fato é que a turba queria sangue. Queria e conseguiu.

Talvez adiante chorar pela família arruinada. Pela falta da vida que ela deveria levar, evoluir, crescer, envelhecer. Talvez pela ausência dela no altar quando do casamente dos filhos, mas isso também não acontecerá.

Também não adianta culpar este ou aquele, seja jornalista, seja radialista, seja apresentador de tv. Conservador, de direita, revolucionário, de esquerda. Evangélico, católico ou seja lá quem for.

Fabiane morreu em razão da irresponsabilidade de alguns e da violência de outros. Violência que é alimentada diariamente por uma série de cretinices veiculadas nas redes sociais, que as pessoas nem percebem, mas que vão desde a provocação de torcidas de futebol até a defesa intransigente de pontos de vista divididos entre “esquerda” e “direita”.

Foi na semana passada que Paulo Ricardo morreu atingido por uma, pasme, privada de banheiro. Ele era suspeito de sequestro, magia negra ou coisa que o valha? Não. Era um torcedor saindo de um jogo de futebol.

Outro dia, um garoto foi assassinado por conta de um telefone celular. Adianta chorar por ele? Pelos pais que tiveram sua vida destruída, num mísero instante, por conta de um eletrodoméstico? Não adianta.

Uma vida não vale mais nada na sociedade que se esconde atrás de redes sociais, que cultua o “funk ostentação”, que se divide entre “esquerda” e “direita”, “conservadores” e “liberais”. Rótulos, rótulos e mais rótulos.

Parece que ninguém vê: no “País da Copa” estamos regredindo à época da completa barbárie, da violência pela violência, do olho por olho, dente por dente.


Aí você para, pensa e conclui: não adianta chorar por Fabiane.

Nenhum comentário:

Postar um comentário