sexta-feira, 19 de junho de 2015

A música e a história de todo mundo.

Sou muito ligado em música, rock principalmente, mas ando ouvindo outras coisas. Agora, com um pouquinho mais de experiência, ando tomando um pouco mais de cuidado com as letras, prestando mais atenção.

Hoje ouvi, pela milionésima vez, Piano Bar, dos Engenheiros Hawaii. E só nesta milionésima vez, reparei em algumas nuances da letra. E aí me toco que ela fala de experiências que todos nós já passamos.

Olha só:

O que você me pede, eu não posso fazer
Assim você me perde e eu perco você.
Como um barco perde o rumo
Como uma árvore no outono perde a cor.

O que você não pode, eu não vou te pedir.
O que você não quer, eu não quero insistir.
Diga a verdade, doa a quem doer
Doe sangue e me dê seu telefone.

Todos os dias, eu venho ao mesmo lugar
Às vezes fica longe, impossível de encontrar
Mas, quando o bourbon é bom
Toda noite é noite de luar.

No táxi que me trouxe até aqui, Willie Nelson me dava razão,
As últimas do esporte, hora certa, crime e religião.
Na verdade "nada" é uma palavra esperando tradução.

Toda vez que falta luz,
Toda vez que algo nos falta
O invisível nos salta aos olhos,
É um salto no escuro, da piscina.

O fogo ilumina muito, por muito pouco tempo.
Em muito pouco tempo, o fogo apaga tudo
E tudo um dia vira luz.
E toda vez que falta luz,
O invisível nos salta aos olhos.

Ontem à noite, eu conheci uma guria
Já era tarde, era quase dia
Era o princípio num precipício
Era o meu corpo que caía.

Ontem à noite, a noite 'tava' fria
Tudo queimava, mas nada aquecia.
Ela apareceu, parecia tão sozinha.
E parecia que era minha, aquela solidão.

Eu conheci uma guria que eu já conhecia
De outros carnavais, com outras fantasias
Ela apareceu, parecia tão sozinha.
E parecia que era minha aquela solidão.

Destaquei alguns pontos que acho interessantes. Quem nunca passou por isso? Certamente, ao ler estes versos sem o acompanhamento musical, muita gente vai se identificar com as situações.

Conhecer uma guria (ou um guri), que era o “princípio de um precipício”, onde você se atiraria sem paraquedas; ter de dizer não a um pedido, sabe-se lá porquê, ou, pedir algo que alguém não pode dar; imaginar que essa negativa vai acabar com tudo, enfim...

Eu já conheci, eu já vivi. E já enfrentei a solidão. E não é a solidão de estar só, apenas. É a solidão de ter de viver com uma decisão que lhe contraria, que lhe afasta daquele alguém. É aquela solidão do sofrimento adolescente, jovial, cheio de energia e de raiva.

Afinal, depois do ontem à noite, parecia que era minha aquela solidão.

Ali embaixo, tem a música.

Bom fim de semana a todos!






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